Wednesday, July 15, 2009

O primeiro filme activista marica: Anders als die Andern

                                             
Anders als die Andern (Richard Oswald, 1919, Alemanha) está considerada nom só como o primeiro filme que aborda explicitamente a homossexualidade, mas também como o primeiro filme activista pola emancipaçom dos homossexuais. Anders als die Andern (diferente aos demais) foi rodado ao calor do primeiro movimento de emancipaçom homossexual na república de Weimar, aproveitando que um ano antes, em 1918, a censura fora abolida. No projecto estava fortemente implicado Magnus Hirschfeld, criador do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto da Ciência Sexual). O próprio Magnus Hirschfeld ajudou a financiar o filme, a escrever o guióm e também aparecia interpretando-se a sim mesmo como sexólogo.

A película começa coa leitura de várias esquelas funerárias por parte do protagonista (o músico Paul Körner). As esquelas remetem a suicídios nom aclarados relacionados com denunciados polo Parágrafo 175. Ser processado baixo o parágrafo 175 nom só supunha pena de prisom, senóm a perda de trabalho, o ostracismo, a vergonha social e toda umha série de factores que levavam a muitos dos denunciados a acavar suicidando-se. Paralelamente, a legislaçom homófobica do 175 favoreceu um florecente negócio de chantagem (que também aparece reflectido no filme) Estima-se que por cada homossexual denunciado polo Parágrafo 175 um centenar mais eram submetidos a chantagem económico para nom serem denunciados.

A película, que pretendia favorecer o clima social favorável à aboliçom do parágrafo 175, foi projectada por primeira vez ante a imprensa o 2 de maio de 1919. O escândalo produzido forçou ao governo a reintroduzir a censura na Alemanha proibindo a sua exibiçom pública em agosto de 1920. Com a chegada dos Nazis ao poder destruirom-se todas as cópias existentes, e a película deu-se definitivamente por perdida. Sem embargo, em 1979, umha cópia  imcompleta  apareceu em Ucránia. Esta é a que conservamos a dia de hoje.

   “Deves seguir vivo; vive para mudar os prejuíços polos que este homem converteu-se numha das incontáveis vítimas….deves restaurar o honor de este homem e levar-lhe justiça, e a todos aqueles que vinherom antes de ele e a todos os que virám depois de ele. Justiça atravês do conhecimento!”
(do guiom de Anders als die Andern)





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Wednesday, May 13, 2009

Boas condutas…do passado e do presente

Este joves 7 de maio pola noite agentes secretos da Brigada de Informaçom da Polícia Nacional acudirom de paisano ao Patachim. Senhores da polícia, já cansam! Seremos eternamente suspeitosos? Como pode ser que num estado que se presume de direito alguns seitores da populaçom tenhamos que estar permanentemente baixo suspeita e, ocasionalmente, acosados e espiados? Revolvendo nos caixons encontrei esta perla: um informe com data de 17 de abril de 1976 da Bigada Político-Social, informando ao Gobernador Civil das condutas públicas e privadas e os antecedentes dos membros da Associaçom de Vizinhas de Monte Alto…hai cousas, como os resíduos nucleares, que som difíceis de reciclar!

(Transcrevo o informe mais abaixo)

La Coruña 17 de abril de 1976
Informando sobre componentes ASOCIACION DE VECINOS DEL BARRIO LAS ATOCHAS-MONTE
ORDEN PUBLICO.-Núm 3682
Ngdo. 11-12.-Núm 672

Excmo Señor

Consecuente a su respetable escrito referenciado de fecha 12 de los corrientes, interesando informe sobre la conducta pública y privada, así como político-social de las personas que más abajo se detallan, los que fueron propuestos para formar parte de la Junta Directiva de la ASOCIACION DE VECINOS DEL BARRIO DE LAS ATOCHAS-MONTE; tengo el honor de participar a V.E. que todos ellos son personas que observan buena conducta en todos los aspectos, desconociendoseles actividades político-sociales y careciendo de actividades desfavorables en los archivos de esta Jefatura Superior, a excepción de Andrés Vicente SALGUEIRO ARMADA, que figura haber sido detenido como sospechoso en actividades propagandísticas del U.P.G. en Santiago con fecha 26-7-74; en 28-7-74 fué puesto a disposición del J.I. de Guardia en relación con lo anterior; en 29-5-75 fué uno de los que firmaron escrito en gallego dirigido al Alcalde de Santiago en el que pedían su dimisión y en 29-2-76 asiste en manifestación contra la celulosa en Puenteceso. Está conceptuado de tendencia GALLEGUISTA-SOCIALISTA y desafecto al Régimen; y Maria Elena PARADELA HERNÁNDEZ, figura tambien con los siguientes antecedentes: En 26-12-70 encierro voluntario en la Iglesia de los Padres Jesuitas, pidiendo clemencia sentenciado ETA en Burgos, al parecer engañada por su marido; en 1974 J.I. número 1 sigue expediente a instancia de la reseñada de separación matrimonial, y en 11-8-75 el Tribunal Eclesiástico de Santiago interes informes por causa separación. Su marido Jesús Luís Centeno Soto, conceptuado como comunista y con numerosos antecedentes parece ser se encuentra con asilo político en Francia.

EUGENIO FERNANDEZ FERNANDEZ
ANDRES VICENTE SALGUEIRO ARMADA
DOLORES PORTO VAZQUEZ
ANGEL LUIS VAZQUEZ DE LA CRUZ
Mª DEL CARMEN PORTELA FERNANDEZ
MIGUEL FERNANDEZ LOPEZ
MYRNA UGARTE PEÑA, y
Mª ELENA PARADELA HERNANDEZ

Dios guarde a V.E. muchos años
   EL JEFE SUPERIOR

Excmo. Sr. Gobernador Civil de la Provincia La Coruña

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Thursday, April 2, 2009

La Tarara

La Tarara, sí;
la tarara, no;
la Tarara, niña,
que la he visto yo.

Lleva la Tarara
un vestido verde
lleno de volantes
y de cascabeles.

La Tarara, sí;
la tarara, no;
la Tarara, niña,
que la he visto yo.

Luce mi Tarara
su cola de seda
sobre las retamas
y la hierbabuena.

Ay, Tarara loca.
Mueve, la cintura
para los muchachos
de las aceitunas.

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Saturday, March 14, 2009

a mente Hetero (Monique Wittig)

Traduçom: Rubem Centeno

(fragmento de The Straight Mind)

Os discursos que particularmente nos oprimem a todas nós, lésbicas, mulheres e homossexuais, som aqueles que dam por sentado que o que funda umha sociedade, qualquer sociedade, é a heterossexualidade. Esses discursos falam de nós e presumem de estar a dizer a verdade num terreno apolítico, como se houver algumha cousa significável capaz de escapar do político nesse momento histórico e como se, no que a nós concerne, puderam existir signos sem significado político. Esses discursos da heterossexualidade oprimem-nos no sentido de que nos impedem falar a menos que falemos nos seus termos. Todo o que os qüestiona é imediatamente desqüalificado como elemental. O nosso rechaço às interpretaçons totalizadoras da psicoanálise fai-lhes dizer aos seus teóricos que desprezamos a dimensom simbólica. Esses discursos negam-nos toda a possibilidade de criar as nossas próprias categorías. Mas a sua acçom mais feroz é a tirania inflexível que exercem sobre o nosso ser mental e físico.

Quando usamos o mais que generalizador termo ideología para designar a todos os discursos do grupo dominante, estamos a relegar esses discursos ao terreio das ideias irreais e esquecemos assim a violência material (física) que exercem directamente contra as pessoas oprimidas, umha violência que é produzida tanto polos discursos abstractos e “científicos”, como polos dos média.

Gostaria de insistir nesta opressom material que exercem os discursos sobre as pessoas.

Nom hai nada mais abstracto no poder que tenhem as ciencias e as teorias, que o poder de actuar em forma material e concreta sobre os nossos corpos e mentes, ainda quando o discurso que as produz seja abstracto… Todas as pessoas oprimidas conhecem esse poder e tiverom que enfrentar-se com el. É o que di: nom tes direito a falar porque o teu discurso nom é científico nem teórico, porque num nível errado de análise, estás a confundir os discursos com a realidade, o teu discurso é ingénuo, entendes mal tal ou qual ciencia, etc.

Se o discurso dos modernos sistemas teóricos exerce poder sobre nós, é porque trabalha com conceitos que nos tocam mui de perto. Apesar do surgimento histórico do movimento de lésbicas, do feminismo e do de libertaçom gai, cuja actuaçom sacudiu já as categorias filosóficas e políticas dos discursos de ciências sociais, essas categorias seguem a ser sem embargo utilizadas pola ciência contemporânea sem maior análise. Funcionam como conceitos primitivos dentro dum conglomerado de disciplinas, teorias e ideias actuais que chamarei a mente hetero.

Nesses conceitos incluo “mulher”, “homem”, “sexo”, “diferença” e toda a série de conceitos que levam a sua marca, entre eles “história”, “cultura” e o “real”. E se bem nos últimos anos aceitou-se que nom existe nada ao que se lhe poda chamar “natureça”, que todo é cultura, segue havendo dentro dessa cultura um núcleo de natureça que se resiste a todo exame, umha relaçom excluída do social na análise, umha relaçom cuja característica é ser ineludível na cultura assi como na natureça, e que é a relaçom heterossexual. A isto chamo a relaçom social obrigatória entre “homem” e “mulher”…Com esse carácter ineludível, como conhecimento, como princípio óbvio, como algo dado prévio a toda ciência, a mente hetero desenvolve umha interpretaçom totalizadora da história, da realidade social, da cultura, da linguagem e de todos os fenómenos subjectivos ao mesmo tempo.  Apenas podo sublinhar o carácter opressor que reviste a mente hetero na sua tendência a universalizar imediatamente todo conceito que produz como lei geral e sobster que é aplicável a todas as sociedades, épocas e pessoas. Assim falam de intercâmbio de mulheres, da diferença entre os sexos, da ordem simbólica, do inconsciente, desejo, cultura, história, dando-lhe um significado absoluto a todos esses conceitos que em realidade som só categorias baseadas na heterossexualidade, ou seja no pensamento que produz a diferença entre os sexos como dogma político e filosófico.

A conseqüência desta tendência a universalizar todo é que a mente hetero nom pode conceber umha cultura, umha sociedade onde a heterossexualidade nom ordene nom só todas as relaçons humanas mas também a produçom de conceitos e mesmo os processos que escapam à consciência.

Rechaçar a obriga do coito e as instituiçons que essa obriga produciu como necessárias para a constituiçom dumha sociedade é simplesmente impossível para mente hetero, dado que fazé-lo significaria rechaçar a possibilidade de construir o outro e o rechaço da “ordem simbólica”, e também faria impossível a constituiçom de significados, sem o qual ninguém pode manter a sua coerência interna. Assim o lesbianismo, a homossexualidade e as sociedades que formamos nom podem ser pensadas nem faladas, ainda quando sempre existiram. Assim a mente hetero continua afirmando que o incesto, e nom a homossexualidade, é a sua principal proibiçom. Assim, quando é pensada pola mente hetero, a homossexualidade nom é outra cousa que outra heterossexualidade.

Sim, a sociedade hetero basea-se na necessidade do diferente/outro a todos os níveis. Nom pode funcionar económica, simbólica, lingüística nem políticamente sem esse conceito. Esta necessidade do diferente/outro é ontológica para todo o conglomerado de ciências e disciplinas que eu chamo a mente hetero. Mas, que é o diferente/outro senom o dominado? Porque a sociedade heterosexual nom só oprime a lésbicas e homossexuais, oprime a muitas e muitos diferentes/outras/outros; oprime a todas as mulheres e a muitas classes de homens, a todas aquelas pessoas que estám na posiçom de dominadas. Constiuir umha diferença e controlá-la é um acto de poder, dado que é esencialmente um acto normativo. Todas as pessoas tratam de mostrar que a outra ou outro som diferentes. Mas nom todas tenhem êxito na sua empressa. Há que ocupar umha posiçom social de poder para lográ-lo.

Por exemplo, o conceito de diferença entre os sexos constitui ontologicamente às mulheres como diferentes/outras. Os homens nom som diferentes, a gente branca nom é diferente, nem o som os amos. Mas a gente negra, assim como as escravas e esclavos, sim. Esta característica ontológica da diferença entre os sexos afecta a todos os conceitos que fam parte do mesmo conglomerado. Mas para nós nom existe isso de ser-mulher ou ser-homem. “Homem” e “mulher” som conceitos políticos de oposiçom e a cópula que os une dialécticamente é, ao mesmo tempo, a que os fai desaparecer. É a luita de classes entre mulheres e homens a que vai fazer desaparecer a homens e mulheres (o mesmo sucede com todas as outras luitas de classes onde as categorias em oposiçom ‘reconciliam-se’ atravês da luita cuja meta é fazê-las desaparecer). O conceito de diferença nom tem por sim próprio nada de ontológico. É só a forma que tenhem os amos de interpretarem umha situaçom histórica de dominaçom. A funçom da diferença é enmascarar a todos os níveis os conflitos de interesses, mesmo os ideológicos.

Noutras palabras, para nós, isto significa que já nom pode haver mulheres e homens e que, como classes e categorias de pensamento ou linguagem, devem desaparecer política, económica e ideológicamente. Se nós como lésbicas e vós como homossexuais seguimos a pensar-nos e a falar-nos como mulheres e como homens estaremos preservando a heterossexualidade. Estou segura de que nengumha tranformaçom política nem económica pode-lhe quitar o seu dramatismo a essas categorias da linguagem. Podemos redimir as palabras escrava ou escravo. Podemos redimir niger, negress (termos denigrantes para as pessoas negras). Em que difere “mulher” dessas palabras? A transformaçom das relaçons económicas nom abonda. Devemos produzir umha transformaçom política dos conceitos clave, quer dizer, dos conceitos que som estratégicos para nós. Porque há outra ordem do material, o da linguagem, e a linguagem vai-se elaborando entrono a estes conceitos estratégicos. Está ao mesmo tempo profundamente conectado ao campo político, onde todo o que concerne à linguagem, à ciência e ao pensamento, refere-se à pessoa como subjectividade e à sua relaçom com  a sociedade. E nom podemos deixar isto dentro do poder da mente hetero, ou seja do pensamento baseado na dominaçom.

…Rachamos o contracto heterosexual. Isto é o que as lésbicas estamos a dizer por todas partes, se nom com teorias, atravês de práticas sociais, e ainda nom sabemos quais poderám ser as repercussons disto na cultura e na sociedade hetero. Alguém que se adique à antropologia poderá dizer-nos que teremos que aguardar cinqüenta anos. Sim, se umha quer universalizar  o funcionamento destas sociedades e fazer aparecer os seus rasgos invariantes. Mentres tanto, os conceitos heteros vam-se socavando. Que é a mulher? Pánico, alarma geral para umha defessa activa. Francamente, é um problema que as lésbicas nom temos porque temos feito umha mudanza de perspectiva, e seria incorrecto dizer que as lésbicas relacionamo-nos, fazemos o amor ou vivemos com mulheres, porque o termo ‘mulher’ tem sentido só nos sistemas económicos e de pensamento heterossexuais. As lésbicas nom somos mulheres (como nom o é tampouco nengumha mulher que nom esteja em relaçom de dependência pessoal com um homem).

Monique Wittig (The Straight Mind)

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Wednesday, March 11, 2009

la homofobia mata, juzga y se absuelve a sí misma

Diagonal, 5 de março de 2009: http://www.diagonalperiodico.net/spip.php?article7393


Rubem Centeno (activista de Maribolheras Precárias)

En plena reacción mediática solicitando el cumplimiento íntegro de penas a raíz del caso de Marta, la chica asesinada en Sevilla, un jurado popular acaba de absolver al responsable de la muerte espeluznante de dos gays en Vigo –uno de ellos negro e inmigrante– aduciendo “legítima defensa” y un “miedo insuperable” a ser violado. El jurado popular, conjurando miedos atávicos y convirtiendo al verdugo en víctima, ha emitido una sentencia que exime al responsable de los asesinatos debido a “un estado de pánico que anuló su capacidad de comprender la ilicitud de lo que hacía”. La pregunta que tenemos que hacernos es ¿pánico a qué? Tanto Maribolheras Precárias como Aturuxo, Federaçom Galega LGBT [lesbianas, gays, bisexuales y transexuales], han emitido comunicados criticando duramente la sentencia y llamando a la movilización en las calles. Aturuxo convocaba el 25 de febrero a cientos de personas en Compostela.

En Vigo, los amigos de los gays asesinados han organizado una concentración para el 7 de marzo. Hay más movilizaciones previstas en Zaragoza, Barcelona y Madrid. Hay cuerpos, hay vidas que no importan para la sociedad heterosexual. O al menos, que son secundarias ante el uso del terror para la protección de las normas de género. Ese miedo, según el jurado, es una eximente completa para absolver al verdugo que asestó 57 puñaladas a sus víctimas. Julio recibió las primeras puñaladas mortales, una de ellas le seccionó el hombro, dejando un reguero de sangre mientras huía arrastrándose por la pared del pasillo de su casa. Fue rematado en el salón.

Su compañero al-Daní logró refugiarse en una habitación cuando ya estaba gravemente herido. Mientras llamaba por teléfono pidiendo auxilio, el verdugo tiró la puerta abajo, le arrebató el móvil y lo remató a puñaladas. Posteriormente se duchó, recogió en una maleta todo lo que había de valor en la vivienda, abrió el gas y prendió fuego a los cadáveres antes de marcharse. Todo ocurrió el 12 de julio de 2006, cuando el verdugo acudió al after gay de Vigo en el que al-Daní trabajaba de camarero. De allí se fueron al piso que al-Daní compartía con Julio. Los informes forenses dan cuenta de la crueldad y el ensañamiento al que fueron sometidos los cuerpos. A la vista de las pruebas periciales no parece creíble la versión de los hechos dada por el acusado, que afirma que fue despertado y amenazado con un cuchillo por una de las víctimas para mantener relaciones sexuales. Y aún en el hipotético caso de que así fuera, las muertes y los hechos están ahí. El jurado no sólo ha creído la rocambolesca versión del verdugo sino que lo ha considerado no culpable. Si ya es execrable la conducta del verdugo, ¿qué se puede decir de un tribunal que absuelve al responsable a pesar de la propia inculpación del autor, de las pruebas periciales y de los informes forenses? La defensa dijo en su favor que “se encontraba en el lugar equivocado en el momento equivocado”.

El acusado se presentó a sí mismo como un padre de familia arrepentido que incluso pensó en suicidarse tras los hechos por la vergüenza que sufriría su familia. Terminó su declaración diciendo “no culpo a nadie, la culpa es mía, de cómo soy”, lo que conmovió al jurado, arrancando las lágrimas de tres de sus miembros. La sentencia, que ha sido recurrida, es paradigmática del ‘pánico gay’, utilizado como eximente en numerosos crímenes homofóbicos y que ha sido algo recurrente desde el siglo XIX en la represión de conductas perversas o en razzias populares contra las minorías sexuales.

Este jurado legitima los asesinatos homofóbicos y abre la veda a la impunidad en la comisión de crímenes de odio. Cualquier hombre blanco heterosexual estaría legitimado a usar la violencia si se siente ofendido ante proposiciones que considera inmorales o que puedan ser una afrenta a su masculinidad. Este jurado popular ha asesinado por segunda vez a Julio y a al-Daní. Pero seguiremos luchando porque sus cuerpos, sus vidas, sí que importan. Y mucho.

fotografia de Moncho Vázquez: http://www.flickr.com/photos/mvazquez/show/

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Monday, December 15, 2008

A ‘evassom’ dos judeus de Marrocos

Edmon El Maleh, El Pais, 27/1/89*

Um dos primeirisimos chefes do Shin Beth e do Mossad, os dous principais serviços secretos israelitas, um moço de 76 anos, Isser Harel, acava de confiar-se ao corresponsal de El Pais em Tel Aviv, em vèsperas da publicaçom do seu livro Segurança e democracia, todo um programa a julgar polo titulo. Apresentado sob luz favoravel, como alguem que desempenhou um papel decissivo na criaçom do estado de Israel, teria resultado oportuno e interessante, vista a actualidade, pedir-lhe umha opiniom autorizada acerca do atentado que costou a vida ao conde Bernardotte, o mediador das Naçons Unidas, em 1948. Esta atentado, que tivo lugar na Palestina, reivindicado polos grupos do Irgum de Menàgem Benguin -e Isser Harel deve conhecer muitas cousas ao respeito-, tivo por objecto torpedear os esforços das Naçons Unidas por solucionar o problema palestiniano, entre outras medidas, mediante a criaçom de dous estados.

No seu lugar, so se refere à Haganah, apresentada como um arma de autodefessa, umha forma pudica de ocultar todo um passado de acçons terroristas. Passado que pouco importa, pois o esencial, supomos, consiste em enaltecer a vertente humanitària do Shin Beth e do Mossad, que intervirom para salvar aos judeus marroquinos dirigindo-os por vias clandestinas a Israel durante os anos 1957 até 1961. Tem a sua graça o que, para essa manobra de seduçom, dirigida à opiniom publica espanhola, Isser Harel nom encontrara nada melhor que expressar o seu agradecimento às autoridades franquistas de Sebta e Mellilla, cumplices benévolos que lhe facilitarom a tarefa. Curiosa maneira esta de elogiar o coraçom dos espanhois, por utilizar as suas proprias palavras. Mas, em que consistiu exactamente aquela operaçom de salvamento? E dificil sofocar um sentimento de profunda e durareira indignaçom se se conhece a extenssom do drama que foi aquel éxodo, como confirma o proprio Isser Harel ao expor as condiçons em que tivo lugar aquela saida em massa.

Aldeias enteiras, as comunidades milenàrias judias beréberes do Atlas, do Sus, de todo o sul marroquino, de excepcional originalidade, perderom literalmente todos os seus habitantes da noite à manhà. Literalmente forom extirpados de aqueles lugares, que nom eram um gueto, nos que viviam entre a populaçom beréber de confessom muçulmana. E identica sorte correrom as grandes cidades -Marraquech, Fez, Meknes-, fogares de umha elevada e antiga tradiçom espiritual judia. Por decenas de milhares, toda aquela gente, de condiçom modesta -comerciantes, empregados, artesans, obreiros, e mesmo camponeses-, aqueles judeus marroquinos aos que se fingia salvar forom obrigados por umha propaganda mendaz a deixa-lo todo, agolpados de noite em camions, embarcados clandestinamente, a miudo com risco das suas vidas, como sucedeu quando o naufràgio de Peces, afundido por umha tempestade no estreito de Gibraltar.

Nada conseguirà fazer esquecer a brutalidade, por nom dizer mais, daquel drama, e quando se disipe a bruma ideologica aparecerà na sua crua verdade. Porque nada, absolutamente nada, justifica aquela operaçom cinicamente qualificada de salvamento. Na minha qualidade de judeu marroquino que vivia no Marrocos em aqueles anos, e estava atento ao que ocorria, tanto no plano politico como no simplesmente humano, podo atestigua-lo e invocar ademais outros testemunhos, alguns de fontes israelitas.

Nom pudendo expor agora em detalhe a situaçom entom reinante, limitarei-me a dizer que tanto em vesperas como imediatamente depois da independencia, nengum acto de violencia que lembra-se aos progromos da Europa Central, nengumha ameaça nem perigo imediato, justificavam aquel éxodo. Isser Harel, que estivo no pais -baixo umha identidade falsa, claro està- salvo algumha vagas alusons, mostra-se mui prudente ao respeito, prudencia que neste caso tem o valor de confirmaçom, e com motivo fundado: os judeus marroquinos escaparom às leis de Vichy graças, entre outras cousas, à intervençom do rei Mohamed V ante as autoridades francesas do protectorado. Muitos deles participarom, em diversas formas, na luita de libertaçom nacional. Desfrutavam, por ultimo, dumha situaçom radicalmente nova desde que o pais conquistou a sua independencia. Do estatuto particular do dimmi, quer dizer, protegidos, condiçom que perdurou baixo o protectorado francés, os judeus marroquinos passarom ao de cidadans do Marrocos, que gozavam da plenitude dos seus direitos. Até a data, os que seguem a viver no pais e formam umha comunidade de relativa importancia conservam aqueles, entre eles a liberdade de movimentos, de viajar, de exercer toda sorte de actividades e de praticar aberta e publicamente a sua religiom. Lembremos, por ultimo, que tras a obtençom da independencia, o primeiro governo marroquino contava com um ministro judeu, o doutor Leon Benzaquen, e que em todos os ministerios, incluido o de Asuntos Exteriores, confiarom-se altos carregos a jovens intelectuais da nossa comunidade. O mesmo sucedeu em todos os seitores da via publica.

Devo insistir ainda para desmentir formalmente a imagem que tenta sugerir Isser Harel, imagem que tende a apresentar aos judeus marroquinos como refugiados, expulsos do seu pais, ameaçados nos seus bens na sua segurança, na sua existencia? Umha pessima novela de espionagem, nom hai duvida; um exemplo da propaganda anti-arabe subscitada polo proprio Isser Harel, quem se jacta de ter causado com ela graves problemas ao governo e às autoridades marroquinas. Teria pagado a pena perguntar-lhe que passou com aqueles judeus marroquinos aos que di ter salvado. Aqueles judeus arabes -considerados em Israel como uns parias, trogloditas meio pagans na espera da redençom, portadores de todas as taras congènitas-  forom encaminhados à sua chegada à terra prometida cara o Neguev, ali onde havia necessidade de mam de obra para erguer as novas cidades, como Dimona. Aqueles aos que a idade impedia-lhes trabalhar, acavavam morrendo nos hospicios de Telavive. Essa foi a situaçom dos primeiros anos, mas hoje ainda todo indica que os judeus orientais, maioritarios numericamente, seguem a ser minorizados e de inferior condiçom na ierarquia social do estado israelita.

Desconhecemos se Isser Harel, esse chefe providencial dos serviços secretos, escolheu o momento, tanto para publicar o seu livro Segurança e democracia, como para conceder a sua entrevista a El Pais. Seja como for, esse momento é justamente aquel no que Tsahal, Shin Beth e Mossad, o Exército de ocupaçom israelita tratam de aplasta a intifada a custa de mortos e feridos habituais; o momento no que a resposta dos governantes israelitas às ofertas de paz de Yassir Arafat é um rechaço brutal que constitui um desafio aos movimentos pacifistas tanto no interior de Israel como de todos os paises do mundo, da Europa e mesmo dos Estados Unidos.

Mui oportuno traer assim a memoria de um passado lonjano inventado com cinismo, a proposito do éxodo dos judeus marroquinos: o refugio numha historia falaz serve enganar umha opiniom publica nom informada.

Edmon el Maleh é novelista marroquino e judeu. Autor de Percorrido imovil

*traduçom sujeita a revisom ortografica

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Saturday, December 6, 2008

cartografias do desejo na medina global


Nas sexualidades arabo-amazighs fluem múltiplas linhas de fuga, apesar da administraçom do silêncio imposto pola normatividade islámica. Nas ruas, praças e suks  flui a sensualidade. Umha decata-se de que deve aprender de novo a caminhar por elas. A gente move-se de maneira diferente; sem paradas, nem cortes, nem regras pre-fixadas. O enxame caótico de corpos andantes, táxis, motocicletas, carros e bícis conforma um magma desordenado e, ao mesmo tempo, harmonioso.

Nom existe a dicotomia peatom/automóvel, como nom existe a de hetero/homo.

A sensualidade é o nérvio central que percorre as margens constituintes de umha contra-sexualidade arabo-amazigh. Margens constituintes que já percebeu o arabista e tradutor das Mil e Umha Noites, Richard Burton; Jean Genet em Marrocos e na Palestina ou, à sua maneira, Foucault na Tunísia. Margens constituintes que resistem desde a época da yahiliya1, permanentemente recombinadas neste presente globalizado. 

Na denominada Zona sotádica2 é mui doado navegar nas águas do prazer e o tráfico, à margem de categorias dicotómicas. Umha, qual corpo nómada, marca o seu próprio rumo e vai-no mudando em relaçom com os demais, constiuindo, simultaneamente, o fluxo global.

Mouros, maricons, zamels e bujarras: magma em desordem permanente que conforma a inestável Zona Sotádica. Fronteiras sexuais, direcçons, beira-ruas, carris e semáforos som convençons que, simplesmente, tenhem umha presença formal. Nom formam parte nem estam presentes dentro da mente da gente. Umha realiza o seu próprio caminho, descobrindo, ao mesmo tempo, as mil e umha fissuras do império sexual.

Abrindo novos caminhos. Abrindo linhas de fuga para umha possível e desejada yihad queer.

1) Período de caos e anarquia sexual anterior à islamizaçom

2 )Categoria geográfico-sexual estabelecida por Richard Burton a finais do séc XIX para explicar a abundáncia de relaçons pedófilas e homossexuais no norde de África

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Monday, November 10, 2008

vida, afectos e comunidade (II)

O PÁSSARO
se lhe tivesse curtado as às
seria meu
nom teria escapado
Mas dessa maneira
teria deixado de ser pássaro
E eu…
o que amava era o pássaro

(de Joxean Artze, interpretado por Mikel Laboa)

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Sunday, October 26, 2008

vida, afectos e comunidade


عرس علاء احمد واد النيص دبكة شعبية فلسطينية شباب بيت أم
احتفالات كأس فلسطي
كاس فلسطين

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Monday, September 1, 2008

Linhas de fuga e yihad queer

A arte de aprender a transitar identidades de diluídas fronteiras, um jogo tam ‘novo’ como o Sham de Damasco

Fugar-se. Isso mesmo foi o que realizou Jean Genet. Frente ao nojento colonialismo praticado pola Geraçom Beat em Tanger, Genet decidiu desertar. Desertar das identidades sexuais para embarcar-se na amalgama de desejos e prazeres presentes na Zona Sotádica e enrolar-se na yihad queer. De Antioquia a Aleppo, de Aleppo a Damasco, e de Damasco às bases fedajim em Amman. Trataria de seguir Jean Genet a estela de de Sergius e Bacius?

Fugar-se. Juntar a Óscar Wilde, a Fassbinder, a Passolini, a Foucault, a Bowles, a Cadinot, a Gaultier e a Yves Saint-Laurent. Juntá-los num despacho e espetar-lhes: estúpidos! Vós que conhecestes e desfrutastes os prazeres da Zona Sotádica, vós, que desde as vossas experiências norteafricanas estávades numha posiçom privilegiada para minar o régimem sexual, vós, idiotas, desde as vossas ocidentais, nom comprendestes nada!

Juntá-los num despacho, pór-nos no meio deles, e fazer-nos estoupar umha cárrega explossiva adosada ao corpo, como faria um fedaijine numha reuniom de generais isaelitas.

Fugar-se e afirmar que nom somos de aqui. Como Joseba Sarrionandia.

As relaçons homossexuais, normais nas culturas mediterrâneas que aflorarom à luz da Grécia Clássica, parte indisolúvel da educaçom militar e das velhas culturas mediterrâneas, começarom a ser desterradas e borradas coa consolidaçom da cultura judeu-cristiá.

Primeira indagaçom: que ocorreu naqueles espaços da cultura mediterrânea onde o cristianismo nom logrou impór a sua hegemonia? A qüestom é comprendermos como certos espaços autónomos ‘queer-sotádicos’ puderom permanecer e desenvolver-se em sociedades islamizadas e como boa parte da constituiçom contemporânea europeia do desejo homoerótico (de Genet a Fassbinder, de Wilde a Passolini, de Cadinot a Goytisolo) constiui-se apartir do ‘descobrimento’ e da entrada em contacto do primerio Orientalismo europeu com esses espaços.

Segunda indagaçom: hoje convivem nas sexualidades norteafricanas e do Levante umha multidom de identidades sexuais, produto da globalizaçom. Em que situaçom se encontram as velhas identidades frente à irrupçom da novíssima identidade gai?

Parar um anaco, olhar ao horizonte, cruçar miradas, dar a volta, intercambiar sorrisos, aprender velhos e desconhecidos códigos, transitar novos significados, …todo isto como parte da metodologia de umha investigaçom-acçom a pór em prática em 2009.

Inch Allah.

Posted by nómadas queer at 16:40:30 | Permalink | Comments (2)