OVNIS (ondas de vida nom identificadas)
O afecto reconfortante que a velha transmite ao meninho é um afecto subversivo. Porque é um afecto que, ainda ocupando a centraliddade deste blogue, é marginal. E o marginal sempre é um reverso susceptível de subversom da ordem, da norma, das relaçons de poder. Os soldados da direita som os que habitam o real. Precissamente por isso nós, ao igual que a velha e o meninho, escapamos ao seu ângulo de visom, porque estamos nas margens da realidade.
Nom pertencemos a este mundo, somos outsiders dos significados da identidade hegemónica. Singularidades estranas que vagam no deserto, a n o r m a i s
suBvErsiVAs, extraordinárias, d escon tro l a das.
A nossa potencialidade radica em estarmos perdidas no deserto. Porque assi podemos permanecer inabordáveis. O nosso poder radica em sermos inclassificáveis. A tarefa do soldado é inútil, porque trata de identificar aquilo que é incategorizável. O soldado tem fé na tecnologia da sua cámara. Mas nós nom temos fé: as suas tecnologias, digitais, científicas, nom servem para captar aquilo que escapa à realidade dicotómica, binária: experiências de fuga que habitam as margens dos significados, e que cobram vida através dos afectos subversivos.
É no deserto, como na música de Oum Kalthoum, onde é possível imaginar, experimentar, criar arquipélagos de afectos subversivos. O seu tema cantado, Emta Omri, descreve o nomadismo e os brilhos intermitentes da chama dumha vela, metáfora das metáforas. Expressom nítida das cadéncias libertárias da sensualidade árabe e da sua falta de normas.
O soldado escruta co seu olho electrónico o horizonte do deserto; mas a sua epistemologia digital, ou militar, ou moderna, ou straight, ou médica… é incapaz de identificar -e polo tanto de diagnosticar e curar- um tipo de afectos: os subversivos. Os afectos de todas aquelas que habitamos no deserto, nas margens, nas bordas da folha de papel onde nom hai texto, no que nom é real porque ainda nom foi imaginado.
Benvindas a Queer Laden, que nasce do cruçamento entre o pensamento e a poesia: fora do texto, onde o papel está ainda em branco… só desde ai é possível desplegar umha política do desejo.
Vai adicada a todas vós: