confessionalidade de facto
Apesar de que a constituiçom espanhola declara no seu artigo 16.3 que nengumha confessom terá carácter estatal, esta formalidade nom se corresponde coa realidade. Vivemos, na prática, num estado confessional. O Concordato de 1978, asinado co Vaticano, garante-lhe à Igreja Católica a subvençom por parte do estado e umha posiçom privilegiada no ensino. O Reino de Espanha, conformado historicamente como estado cruçado frente a mouros, judeus ou indígenas, segue a dar-lhe poder a determinadas visons que, por acima de legitimidades democráticas, falam de essências divinas ou destinos universais.
Como anédota ai está o passado 12 de outubro, dia no que o arzebispo Julián Barrio arremetia contra a nova lei do aborto na arenga lançada com motivo da Oferenda à Virgem do Rosário na Corunha. O grave do assunto é que o fazia diante do alcalde corunhês, Javier losada, e o resto de membros socialistas da corporaçom sentados no templo quem, coa sua presença em tam privado e particular acto, volviam recordar-nos a indistinçom entre o divino e o humano que de forma habitual se pratica desde instituiçons e poderes públicos. Poderes que deveriam representar a toda a cidadania, além de credos particulares.
Esta confessionalidade de facto do Estado nom ajuda nada ante o perigo real que estamos a viver: a consolidaçom dumha direita neocon, a de Pilar Farjas, a de Jesús Vázquez, a de Feijoo quem, sem nengum tipo de complexos, revisa os consensos dumha transiçom da que supostamente fizerom parte. Umha revisom burda destinada a reactualizar o Nacionalcatolicismo para a sua particular cruçada: recristianizar umha sociedade profundamente secularizada, instrumentalizando, sem pudor algum, as instituiçons públicas, as instituiçons de todas. Nom é nengumha broma.
Tempos Novos, novembro de 2009
Rubem Centeno, activista de Maribolheras Precárias